Diário dos 21 Dias.

5.12.16 |
"Uma vontade física de comer o Universo 
Toma às vezes o lugar do meu pensamento" 
Fernando Pessoa





Para começar, nunca tive o perfil de comer mais do que preciso, ao contrário. Desde a infância a maior bronca dos meus pais era em função de eu não me alimentar adequadamente. 
Sem favor algum, os únicos alimentos que causam imensa comoção são os doces: sou apaixonada por chocolate, tortas, pudins, caramelos, brownies, cookies, a ponto de precisar comer pelo menos uma sobremesa por dia.
Mesmo abusando dos doces, sempre fui magra, e tenho dificuldade para engordar. Até academia - aliada a suplementos hipercalóricos e dieta especial - não resolveu. 

Tenho 1,63 de altura e meu peso orbita entre 43 e 46 quilos. Um IMC de 17,3 que é considerado abaixo do peso. "Cuidado para o vento não te levar!", "Magra de ruim!" e "Come feito um passarinho!" são frases que ouvi a vida inteira.

Preferi não avisar amigos & familiares para não receber interferência externa durante esse o período de transição. A maioria das pessoas, inclusive as mais próximas a mim, estão a anos luz de entender ou acreditar ser possível.

Iniciei o processo às 00:00h do dia 14 de Novembro de 2016, em casa, com o auxílio do meu namorado que já vive de luz. Foi importante conhecer a rotina do Bruno, porque existe um abismo entre acreditar em uma possibilidade e vê-la na prática. Acreditar que é possível viver de luz e vivenciar a rotina de alguém que não se alimenta é cabal. Causa uma fé inabalável.
Não evitei comer alimentos sólidos durante o dia anterior ao início do processo. Estava me recuperando de uma gripe e o Bruno perguntou se eu não preferia melhorar antes de começar, uma vez que eu não poderia mais tomar água ou remédios, mas quis continuar mesmo assim. 
Fui iniciada no Salto Quântico Genético, porém, faço parte do pequeno grupo de pessoas que não deram o salto. Não tive acesso às memórias, e tampouco consegui falar com a minha supraconsciência, por isso apenas meditei, "avisei" meu corpo que a partir de então iríamos absorver energia orgônica e não mais precisar de alimentos para nutrição.


Acordei às 9h, com uma leve dor de cabeça que atribui a gripe. Senti vontade de tomar café da manhã, muito mais por hábito que por fome, mas logo a vontade passou. 
Me concentrei em escrever um artigo, e a dor de cabeça se foi como mágica. 
Às 14 horas senti fome, sede ainda não.
Descobri que ao levar minha atenção para outro assunto, a fome fica em segundo plano e depois some, essa vai ser minha principal estratégia na primeira semana.
Como estava bem, me senti disposta a praticar exercícios físicos por duas horas e meia, mesmo sendo exercícios de alta intensidade não me senti cansada, o único pormenor é que após toda agitação senti muita sede. Mas resisti.
Passei o resto da tarde lendo e assistindo filmes, tentei dormir, mas não consegui pegar no sono. De desconforto apenas a sensação de estômago vazio, e um gosto amargo na boca.

No final do dia comecei a sentir sede novamente, mas nada difícil de administrar. Notei que meus olhos ficaram muito vermelhos. Fui dormir às 23h, com uma leve dor de cabeça.
Estou focada no processo e sentindo uma enorme força interior. Trata-se de uma certeza absoluta que vibra em cada átomo dizendo que os 21 dias, para mim, serão como o fio de Ariadne que conduz à saída do labirinto do Minotauro: uma válvula de escape, para um nível elevado de consciência.

Não consegui dormir bem, acordei diversas vezes durante a noite com o estômago reclamando muito, também pudera, o metabolismo humano funciona da seguinte forma: todos os nossos conjuntos de células se adequam à nossa realidade, e se "acostumam" a alimentação que fornecemos ao organismo. Nossa mente literalmente cria nosso corpo.
Tudo começa na célula, uma máquina produtora de proteína. 
O corpo capta o sinal do cérebro.
Uma das coisas que acontece com os receptores da célula é que mudam de sensibilidade. 
Se bombardeamos a célula com as mesmas substâncias e química diariamente, quando essa célula resolver se dividir, produzindo uma célula irmã ou filha, a nova célula terá mais receptores para aqueles peptídeos que fornecemos com frequência. Ou seja, ficamos viciados em comida a nível celular, pois nossas células se modificam para digerir com excelência o que ingerimos em maior quantidade.
Interromper isso drasticamente, como propõe o processo dos 21 dias, causa stress nas células, já habituadas a receber alimentos há 20, 30, 40 anos. Então o mal estar é inevitável e até compreensível. Meu corpo está protestando pelos 22 anos em que eu acordava e tomava uma vitamina, um suco, comia um pãozinho, e agora, nem água estou bebendo.

Pela manhã levantei às 9h, ainda com dor de cabeça, e ao levantar da cama para ir ao banheiro senti fraqueza. 
Voltei para cama, descansei um pouco, e ao levantar pela segunda vez, não estava mais com dor de cabeça e tampouco senti fraqueza novamente, no entanto o gosto amargo na boca persiste desde ontem.
Fui a sala ocupar minha mente com uma série, estava me sentindo ótima, sem fome ou sede.

De súbito um enjoo terrível me acometeu, e não tive como evitar expelir. Meu estômago estava vazio, só havia suco gástrico, e foi o que saiu. Depois, fiquei 100% bem.

Observei que o cheiro de café, que havia me causado vontade ontem, me embrulhou o estômago hoje.
Às 14 comecei a sentir sonolência, e fui para o quarto tentar descansar, não consegui. Todas as vezes que tentava pegar no sono, acordava abruptamente com a sensação de ter sido tocada por alguém. Acredito que a inédia tenha sido ativada nesse momento, meus olhos ficaram vermelhos, e minha temperatura estava muito elevada.
Fiquei assistindo TV e um mal estar terrível foi crescendo gradualmente durante a tarde, meu corpo não me poupou: dor de cabeça, fraqueza, enjoo, e meus olhos voltaram a ficar vermelhos. O enjoo chegou a ficar insuportável, mas não consegui expelir mais nada.

Notei que a medida que o mal estar aumentava os meus batimentos cardíacos também, a tal ponto que ficou dolorido ao toque o local onde fica o coração. 
O estômago incomodou a tarde inteira, em compensação não senti sede. Só de pensar em água o mal estar intensifica.
Tive vontade de praticar exercícios físicos, mas não tenho energia para isso.
Estou em um estado emocional neutro, nada me causa euforia ou tédio, mas não sinto muita vontade de conversar. É neutro, mas introspectivo. Como se eu fosse incapaz de sentir qualquer emoção.

Apesar de todo o desconforto, sei que é normal. Reações típicas do corpo à falta de comida são: dores, de cabeça, nos músculos, ou no estômago, fadiga generalizada, e talvez alguma irritabilidade e falta de paciência. Esforço físico parece algo sobre-humano e mesmo esforço mental pode tornar-se cansativo. A primeira semana vai exigir muito do meu corpo, tudo que posso fazer é manter a mente tranquila.
A noite o enjoo chegou ao nível máximo, e vomitei várias vezes. Fui dormir às 23h ainda com dor.
Consegui dormir bem, tive uma noite tranquila povoada por sonhos desconexos sem maior importância. Acordei às 8h com muita dor de cabeça, fome - que logo passou, e sem enjoo algum. Meus olhos voltaram a coloração normal e estava também com ótimo humor. 
Precisei tomar remédio pois a dor de cabeça, por conta da gripe, estava se encaminhando para uma enxaqueca, coloquei menos de um dedinho de água em um copo, e despejei as gotas de neosaldina.
Após a dor de cabeça passar fiquei totalmente bem disposta, acredito já estar vivendo de luz por não ter tido uma perda brusca de peso hoje, e por ter energia de sobra, depois da hora em que acordei a fome não apareceu mais, tampouco sede.
Até mesmo consegui limpar e organizar algumas coisas na casa.

Por volta de 13h da tarde o enjoo voltou com força total, e persistiu durante toda a tarde. Vomitei várias vezes. E apesar de estar com energia, a dor do enjoo é debilitante. 
Acredito ser uma peculiaridade da minha genealogia, suspeito que o PH do meu estômago é mais sensível do que o comum, e ficar de barriga vazia faz com o suco gástrico corroa as paredes do estômago, causando enjoo. Já tive o mesmo problema antes, em uma infecção intestinal, e até onde li no diário de outras pessoas que passaram pelos 21 dias, não é comum sofrer por ânsias e enjoos.

Não sei ainda como lidar com isso, como é possível fazer alguns desvios de percurso na primeira semana, adaptar a sua necessidade, decidi tomar um copo com água para ver como o meu corpo reagiria: da pior forma possível. O enjoo aumentou e coloquei toda água para fora em meia hora.
Como a água não ficou no meu corpo, tentarei passar pelos 7 dias padrão, sem água e comida. Vou monitorar o meu estômago, tentar resistir as ânsias.

Outra solução seria comer alguma coisa para a dor melhorar e desistir do processo, mas sequer cogito, é uma impossibilidade.
A noite senti muita fome e o enjoo se tornou insuportável e decidi então meditar, lembrei que a mente domina o corpo, tentei entrar em conexão com as glândulas localizadas na mucosa do estômago, que produzem suco gástrico, relembrá-las que não é preciso produzir nenhuma substância, pois não vamos precisar digerir nada. Entrei em conexão com a minha energia, acalmei a mente, e me senti bem melhor depois.
Ainda tive ânsias antes de dormir, mas consegui pegar no sono rapidamente, por volta das 23h.
Acordei 4 da manhã sem sono algum, não quis levantar pois meu estômago estava ótimo, só a dor de cabeça, minha amiga de sempre, estava presente. Tive medo de sair da cama e com o balanço do corpo o enjoo retornar.  Então permaneci deitada ouvindo o silêncio, o vento, depois o canto dos passarinhos na aurora, e por volta das 7 da manhã, o tédio venceu e peguei no sono novamente. Outro sintoma do jejum prolongado é alteração no sono, normalmente levanta-se durante a noite, uma ou várias vezes, afinal o que causa sonolência é a digestão, e em jejum não se digere nada. 

Vale observar que quando falo em "jejum prolongado" estou me referindo exclusivamente a não ingestão de alimentos sólidos, pois quando você se dispõe a passar pelos 21 dias a ideia não é "não comer nada" mas sim passar a se alimentar de uma fonte diferente. Então não existe um jejum propriamente dito.

Levantei as 9h, a dor de cabeça estava mais branda, e o enjoo permaneceu incógnito. Incrível! 
A meditação de ontem parece ter funcionado, não tive enjoo ou náuseas, tampouco vomitei, passei o dia inteiro bem. Só com muita fome e sede, mas já estou até acostumada com a sensação. Em compensação a energia de ontem, não está presente hoje. Me sinto fraca, e tô com a aparência horrível! Que bom que, de acordo a outros relatos, melhora depois e volta ao normal!

A tarde senti uma dor esquisita, a minha vértebra da coluna parecia estar em chamas. Uma sensação de queimação que durou uns 30 minutos e voltou a se repetir em outros momentos do dia, mas com menor duração. Não adiantava mudar de posição, pois o incomodo persistia. Achei curioso.
Fui dormir novamente as 23h, me sentindo fraca, mas bem.
Acordei novamente as 4 da manhã, sem sono e com muita dor de cabeça. Queria dormir mais e não consegui. Ouvi relatos de pessoas que passaram pelos 21 dias e desde então só precisam dormir 3 horas por noite, espero que também ocorra comigo. Fiquei na cama até as 9 da manhã.
Hoje estou me sentindo uma boneca de trapos, qualquer esforço físico parece sobre humano, tomar um banho é uma tarefa hercúlea, e a fome continua incomodando. Ânsia só tive uma. Ao menos a dor de cabeça foi diminuindo gradualmente até desaparecer por completo.

O cérebro está em modo avião, não consigo produzir ou ler nada, as palavras resvalam pelo meu cérebro sem deixar o menor registro. 

A sede não está incomodando muito, confesso que nunca fui uma pessoa de beber muita água, meus médicos repreendiam e alertavam que isso poderia me acarretar um problema renal mais tarde. Durante toda a vida precisei, de fato, me obrigar a tomar mais água. Acho que por isso, por não ser uma grande fã do líquido, meu corpo consegue por vezes se "desligar" da sede.

Me dediquei a meditação, e também ouvi várias músicas gostosas que me deixam alegre, com astral lá em cima, com vontade de dançar, embora eu só possa ficar na vontade. Imagina, não conseguiria nem o dois pra cá dois pra lá. Falta fôlego para malemolência! rs
No mais, estou bem. Passei o dia distraindo a mente com filmes e séries. Cada dia é uma nova vitória, a ciência endossa que os seres humanos não podem passar mais de quatro dias sem água, ou morreriam, e cá estou eu, viva da silva. O que os cientistas têm a dizer sobre isso, hã? Só um mimimi materialista que convence aos céticos e fecha os olhos da humanidade à verdade. Parece que os cientistas não reconheceriam a veracidade da inédia, nem se ela dançasse nua na frente deles!
Fui dormir às 00:00, caí na cama e adormeci imediatamente.
Tive vários sonhos sem sentido durante a noite e acordei diversas vezes. Tanto que quando amanheceu, não tive vontade de levantar da cama. Fiquei tentando compensar a falta de sono, sem sucesso. Levantei as 11 sem ter conseguido dormir. 
Observei que ainda sinto fome, principalmente nas horas em que eu estava habituada a comer, mas observei também que a vontade de comer, está completamente dissociada da fome.

Mesmo quando meu estômago não está pedindo comida, minha mente divaga pensando em sanduíches no pão árabe, ou uma salada caesar original, tapioca recheada por nuttela e nozes, uma boa massa regada a molho sugo... Vontade principalmente de sentir o sabor salgado.
Entendo agora na pratica o que antes era apenas um conceito sobre "vício em sabores".

Inclusive esse é o motivo pelo qual muitas pessoas após passar pelos 21 dias voltam a se alimentar normalmente, ou são eventualmente flagrados degustando um petisco.
Meu posicionamento sobre o assunto é não precisar adotar uma postura radical, e sofrer para ser incólume. Claro que seria burrice passar pelos 21 dias e voltar a se entupir de comida para perder os benefícios da inédia, mas também viver de luz não implica ser necessário privar-se totalmente dos sabores. Degustar com parcimônia, ter um orgasmo de paladar, é válido e honesto.

Passei o dia bem. Por "bem" lê-se enfraquecida, com sintomas habituais a falta de alimentos, mas longe de um game over, ou pensar em desistir.

Ao contrário, a cada dia estou mais encantada com as possibilidades, se você soubesse a dimensão das coisas que para a ciência não existem e que estão, no exato momento, amontoadas ao seu redor, dentro de você, impressas no seu DNA, você não conseguiria dar sequer um passo adiante, maravilhado com as possibilidades! Possibilidades que para mim, estão virando realidade.
Fui para cama as 22h, ansiosa para acordar no último dia da primeira etapa.
Sabe quando o sono decide vir a conta-gotas, em doses homeopáticas, transformando a noite em um limbo entre a consciência versus sono? Eis o resumo da minha noite. Não consegui aferir quantas horas estou dormindo por noite, mas sei que é bem menos do que o habitual. Os ciclos do sono ainda não estão regulados, mas apesar de toda agitação noturna, acordo descansada com total ausência de sonolência.

Tive um sonho curioso, eu estava deitada a céu aberto, o céu empoeirado de estrelas, passei o dedo e várias estrelas azuis vieram grudadas na ponta. Achei interessante, pois no dia que iniciei o processo dos 21 dias, tive um sonho auspicioso com uma abelha laranja. Hoje é o final e início de outro ciclo, e tive outro sonho, diferente na temática, mas igual no sentido. 

Pelo meu calendário, eu deveria iniciar a segunda do processo após o sétimo dia, no oitavo, a partir das 00:00. Mas como estava fraca, sentindo todos os dissabores e desconfortos habituais da primeira semana, preferi não me torturar mais até meia noite.

Ás 11:51, com o rufar dos tambores, tomei o primeiro copo de água após a travessia no deserto que essa primeira semana foi.
Tive um orgasmo? Atingi o nirvana? Foi a oitava maravilha do mundo? Longe disso!
A água desceu viscosa, caiu no estômago pesada, não tinha o gosto que eu pensei que teria, tampouco o prazer. A seu favor, devo dizer que a fraqueza passou, a energia voltou com força total, e a dor de cabeça sumiu me dando adeus, au revoir, hasta la vista, como quem não pretende voltar.

Outra coisa que observei, é que meu olfato está mais apurado, e também que o cheiro da comida não me enjoa e ou tenta. Hoje é um domingo, os vizinhos fizeram churrasco, senti vários cheiros gostosos, até mesmo de camarão, achei que iria me afetar muito, me causar um desejo incontrolável, mas surpreendentemente não ocorreu.
É recomendável ingerir ao menos 1L e meio de água na segunda semana, e olha, não consegui beber mais do que dois copos e meio, meu estômago até reclamou, ensaiou uma ânsia.

A tarde beberiquei um chazinho de maçã com canela, que foi melhor recebido pelo meu corpo.
Para ser honesta, sinto que meu estômago ainda não se habituou 100% com a minha nova nova realidade, eu ainda sinto fome algumas vezes por dia, e ele reclama por não estar sendo alimentado nas horas em que eu habitualmente comia, mas acredito também, que isso é transitório, e naturalmente o meu organismo vai se condicionar. Afinal, consciência é um estado de ser. E no estado de consciência que decidi estar, posso escolher qualquer outra forma de ser.

O dia passou mais rápido que os outros, menos penoso, e tem sim um calorzinho gostoso de vitória, se tornando mais latente, dia após dia. Estou há sete dias sem comer nada!

Hoje só vou para cama quando me der sono, e tentar ter uma noite regular, para descobrir quanto tempo estou dormindo.
Acordei com uma deliciosa sensação de estar bem que se prolongou durante todo o dia. Uma coisa é fato: minha energia está de volta!
Hoje recebemos a visita de uma terapeuta especializada em acupuntura esotérica, aproveitei para trabalhar os pontos ligados ao sistema digestivo, em uma tentativa - bem sucedida - de fazer as pazes com meu estômago.
Não é recomendável sair de casa até a terceira semana, aliás, pelas instruções da Jasmuheen, no livro Viver de Luz, não é recomendável sair.
Mas eu estava bem disposta, algo inédito desde que comecei o processo, e quis ir ao mercado comprar morangos para fazer água saborizada, até mesmo para testar os meus limites.
Descobri que Eu sou mais forte que eu.
Acabei passando a tarde inteira fora, fui ao mercado e logo depois ao shopping, e mesmo com toda a movimentação , não senti mal estar ou queda de energia.

Imagine só, no mercado havia cheiro de comida perfumando os corredores por o todo lado, seja por banquinhas de lanches e lanchonetes, ou mesmo as carnes, queijos, especiarias e ervas. Uma verdadeira tortura para quem está há oito dias sem comer, certo? 
Errado. Não me perturbou.
Segundo teste de fogo: a praça de alimentação do shopping. Sushi, massas diversas, sobremesas de encher os olhos, assisti às pessoas se empanturrando e tudo que me veio a mente foi: essa não é mais a minha realidade.

Estranho mesmo foi ir ao cinema e pela primeira vez não comer pipoca, ou tomar refrigerante. Me senti como uma dependente química recém saída da clínica de reabilitação, cercada por pessoas entregues ao vício. 
Eu não estava sequer com vontade de comer pipoca, muito menos precisando comer pipoca, mas me senti "quebrando um ritual".

No entanto essa experiência deixou claro que tudo é questão de hábito. 
O hábito de ir ao shopping e não sair dele sem antes passar pela praça de alimentação, hábito de comer pipoca assistindo filmes, hábito de ir ao mercado e experimentar coisas, a sorte é que, tudo que é hábito, pode ser mudado.
Cheguei em casa as 22h, ainda me sentindo bem, passei o dia a base de sucos, chá e água. Ontem fui dormir às 02:30 da manhã, e acordei as 8 da manhã, ou seja dormi em média cinco horas, e mesmo assim tive energia para um dia comum.
Hoje não tive enjoo, nem dor de cabeça. A sensação de fome ainda persiste, mas não vem mais acompanhada de mal estar.
Fui dormir às 23:00, feliz.
Mais uma vez acordei com energia. Tem um supermercado localizado há duas quadras do prédio em que moramos, arrisquei pela manhã uma caminhada até ele para renovar o estoque de chá.
Meu cérebro voltou a funcionar a todo vapor, passei o dia inteiro lendo os artigos que havia salvo na lista de leitura, por não ter disposição para lê-los.
Não tive enjoo, nem cansaço, ou dor de cabeça.

A sensação de fome está diminuindo, e não sinto muita vontade de beber líquidos, estou me forçando a tomá-los por ser importante nessa fase de adaptação do corpo.
O que consumi durante o dia? Apenas chás, e água saborizada.
Observei que quando bebo algo, fico com a sensação de satisfeita, e logo depois sinto sonolência.
Deve ser por algum processo de ajuste interno do organismo.

Encontrei um vídeo muito interessante de um guru indiano chamado Swamiji Nithyananda, sobre viver de luz. Ele chama o processo de Nirahara Samyama, e claro, engloba às crenças do Hinduísmo. Com exceção a explicação sobre o porquê de termos tal capacidade biológica e o porquê dela estar desabilitada (eu creio que vá além de memória celular, e muito tenha haver com a configuração genética a qual fomos projetados.) é um ótimo vídeo, que contém a essência do que é alimentar-se de prana:

Endosso mais uma vez que não é necessário abster-se pra sempre de água e comida, a não ser que esse seja o seu objetivo particular, mas é possível ir muito além. É possível! E a possibilidade por si só é fantástica.
Câmbio de energia. Essa frase sintetiza meu dia hoje, sinto-me como um enorme conversor AC/DC humano, trocando de frequência.
"Fraqueza" não é uma palavra que possa ser empregada, pois embora eu não tenha a energia que tinha antes de iniciar o processo, consigo fazer tudo o que preciso sem dificuldade, e não há comparação com a primeira semana, onde tarefas simples - levantar do sofá por exemplo, exigiam um esforço sobre humano.

Na verdade, a sensação é de fortalecimento. E estou encantada!

Imagine só, estou há dez dias sem comer, e sinto meu corpo se fortalecendo, não tenho mais enjoos, nem dor de cabeça, nem fadiga generalizada, consigo passar mais tempo ininterruptamente lendo, meu cérebro se cansa com menos facilidade, consigo fazer exercícios físicos, não tive fome hoje, nem mesmo sede, precisei mais uma vez me obrigar a tomar água, chás e sucos, e me sinto ótima! 

Muitos adeptos da inédia afirmam que o vício em sabores é algo muito poderoso e difícil de ser desligado. Eu concordo, e suspeito que estará sempre à espreita, mas tenho observado que meu cérebro não fica mais pensando em chocolate, massas, iguarias, não existe mais nenhum alerta vermelho me perturbando o juízo.
O que é mais uma vitória!
Também não tive mais perda de peso, estabilizou.
Ainda faltam 11 dias para concluir o processo, e já me sinto Eu.
Acordei me sentindo ótima como o habitual. Novamente todos os sintomas característicos da falta de alimentos estão ausentes.
Pela manhã beberiquei um chá verde com limão, e decidi tomar um pouco de sol na varanda.

Há quem diga que olhar diretamente para o sol faz com que o corpo se recarregue de prana. Honestamente?
Bobagem!
Fiquei em torno de duas horas e meia no sol, quando fui para sacada era aurora, os raios ainda estavam brandos, depois esquentou mais e resolvi então elevar meus olhos ao astro rei para vivenciar a mágica e, nada.

Inclusive creio que a energia orgônica esteja em todos lugares, somos feitos de fótons, somos a própria energia cósmica, estamos em contato com essa energia durante todo o tempo, então após ativar a capacidade no DNA, para absorver-la não é necessário olhar para o sol, ou visitar áreas verdes, é um processo tão natural quanto respirar.
Sabe o que notei? O dia parece ficar mais longo sem as pausas para comer. E fica potencialmente ainda mais longo, se você possui mais energia para produzir coisas.

Me dediquei a meditação, leituras, exercícios físicos e mesmo assim, no final da tarde estava com tanta energia acumulada que precisei ir dar uma volta.

Há um parque próximo ao prédio, há uns 10 minutos de distância, no caminho até ele, esbarrei em uma sorveteria especializada em sorvete artesanal de frutas. Tomei um gelato de abacaxi, afinal, se pararmos para pensar sorvete nada mais é do que um líquido.

Fora isso, minha dieta continua inalterada: água, sucos, chás.
Hoje decidi tomar apenas água para ver como meu organismo reage. Vou tentar continuar o maior tempo possível nessa dieta. Já me sinto 100% bem, igual a antes de iniciar o processo, e isso é incrível.
Tive um dia perfeitamente normal, me sinto apta a realizar qualquer tarefa, trabalhar normalmente, voltar a rotina.

Prova de que, na vida não existe a temer, mas a entender. 

Minha aparência está melhorando, e não estou ganhando peso, estabilizei no 41 desde que voltei a ingerir líquidos. Isso é abaixo do meu peso normal, não sei ainda se vou retornar aos 45, de qualquer forma, ganhar peso sempre foi difícil para mim. Ao menos a cara de doente não existe mais! 
Dois fatos curiosos: ontem passei o dia em uma dieta restritiva de água, a noite notei que estava com o olfato super apurado, a ponto de estar no escritório e conseguir sentir odores sutis de coisas manipuladas na cozinha (detalhe: esses dois cômodos localizam-se em lados opostos e não possuem comunicação direta entre si), o outro fato é que fui dormir por volta das 23h como habitual e acordei as 3 da manhã, sem sono algum. Ainda tentei - em vão, cair nos braços de Morfeu, mas não teve jeito. Levantei e passei a madrugada acordada, lendo.

Estou ótima. E surpresa com a minha força de vontade, verdadeiramente surpresa.
Sou viciada em refrigerante, e já perdi até as contas de quantas vezes tentei parar de tomar. A aventura não ia além de uma semana, e embora eu sempre me dispusesse a tentar uma vez mais, já havia intimamente aceitado que jamais conseguiria tirá-lo da minha rotina alimentar.
Então o jeito era balancear o lado ruim (refrigerante e doces) com uma dieta saudável, regada a frutas, vegetais e produtos integrais ou in natura.

Aliás, eu considerava verdadeiramente impossível abrir mão de alguns hábitos alimentares, amo comida vegana, amo a ideologia vegana, nunca torci o nariz para um aipo sequer, mas eu me via abrindo mão da carne? do churrasco? do leite? do ovo? 
De forma alguma!

E agora, estou passando por um processo radical que exige transpor todos esses conceitos, cada dia fica mais fácil, a cada dia me sinto mais distante da rotina de antes. 
Beber apenas água não está sendo um sacrifício e sei que posso ultrapassar tudo que outrora defini como limite. Sei agora que toda concepção a cerca dos "meus limites" foi mediada pelo que aceitei como realidade, pelo que acreditei ser ou não possível.

Sei agora que caso decida nunca mais tomar refrigerante na vida, consigo cumprir sem pesar.

Fui dormir às 3 da manhã,  meu ciclo de sono tem durado de 3 a 5 horas por noite, estou tentando regular esse período para não acordar de madrugada.
"O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo
Nem mudar água pura em vinho tinto
Milagre é acreditarem nisso tudo!"

Quintana sabia mesmo das coisas! Hoje um primo meu com aspirações à chefe de cozinha e nenhum histórico de labirintite (a cósmica, de sentir a cabeça girando rápido com ideias sobre tudo e nada e o universo) me chamou no whatsapp para falar sobre comida. Discorri sobre a minha realidade acerca do tópico: não preciso mais. Bati de cara com o ceticismo.

É claro que ele não acredita que estou há duas semanas sem comer nada sólido. Não acredita que tal absurdo exista. Sequer admite a hipótese, tamanho disparate. Eu, humilde, nada posso garantir, sou a única prova de mim (agora é Clarice), bebo minha água, meu corpo, alheio a impossibilidade decretada pelo mundo, continua a funcionar normalmente.

Sei que embates desse tipo daqui para frente serão uma constante, aliás uma constante com tendência a crescimento exponencial, uma vez que quero provar para todos que é possível.

Mas confesso: não vai ser fácil. Há pouquíssimas pessoas dispostas a deixar sua zona de conforto para se aventurar no desconhecido. Você é tachado de "mentiroso" antes mesmo de concluir a frase: Viver sem comer nada é uma alternativa real.
Hoje começa a terceira semana, onde eu poderia tomar sucos mais concentrados e sopas ralas. Mas a dieta de água, surpreendentemente, tem me bastado então vou prosseguir.

Continuo me sentindo muito bem, com uma disposição perene, e a aparência voltou ao habitual.

Não tive nenhum sonho de início de ciclo, como anteriormente, mas considerei a ausência do sonho o próprio sinal: já está tudo bem, já está tudo normal, sem mais obstáculos, bandeira fincada no topo do monte com sucesso.
Tive um dia absolutamente normal, a dieta exclusiva de água continua sendo o suficiente. Ganhei um quilo, meu peso subiu há três dias, o que contraria toda a lógica da ciência materialista, afinal como alguém que não come nada há 16 dias está ganhando peso?

Sem admitir a existência da energia orgônica, chi, prana; Sem confirmar a veracidade da inédia, como explicar o fato de eu estar viva, saudável, bem disposta, escrevendo esse diário? 

Me preparei para passar os 21 dias mais desligada das minhas tarefas. Estava contando com não ir a academia, não trabalhar, não ler, não escrever, não executar tarefas básicas do cotidiano. 
Embora eu não fosse para um sítio me isolar, sabia que estaria menos acessível, quiçá mesmo indisposta, por todo o período.

De fato só me senti indisposta na primeira semana, e no comecinho da segunda, desde então me estou em perfeitas condições para retomar o ritmo de antes. 

Meu organismo se adaptou, após a acupuntura não tive mais enjoos, não sinto fome, por vezes a sensação de estômago vazio causa uma leve flutuação,  como se fosse esboçar a sensação de fome, mas tomo água, e passa. Sede não tenho tido com frequência também. Hoje tomei apenas 2 copos de água pela manhã, só fui ter sede novamente a noite, como o clima estava frio, preferi tomar uma bebida quente e preparei um chá verde com limão.

Observei que minha mente não fica pensando em comida tampouco, como na primeira semana. Não comer se torna um estado natural.

Decidi voltar a academia, e ir retomando os meus projetos essa semana, antes mesmo de terminar o processo. Os próximos 4 dias serão apenas conclusão de ciclo, a experiência já é um sucesso.
Passei o dia tomando apenas água novamente, e o curioso é que a noite meu peso estava em 43kg. Consegui ter um dia normal, executei uma série de tarefas de ordem prática e em nenhum momento me senti indisposta ou tive queda de energia. Me sinto ótima, em todos os aspectos. 
Acordei e não tive sede, só fui tomar o meu primeiro copo de água as 17h, nesse interim resolvi pendências e coloquei algumas coisas da casa em ordem. No final do dia acompanhei um amigo ao supermercado, ele fez uma série de compras pesadas, consegui ajudá-lo com o peso sem sentir desgaste algum.
Sentir-se bem é um estado continuo.
Hoje é sábado, véspera do último dia, estou em estado de fremente excitação. Me sinto ansiosa.
Sei que a experiência foi um sucesso, meu ânimo e disposição são lembretes constantes da inédia em mim, mas ainda assim, é o penúltimo dia, é a conclusão do ciclo, existe a sensação crescente de vitória.
Não alterei o meu cardápio, continuo bebendo apenas água, e pretendo levar isso além dessas três semanas. Quem sabe iniciar outro processo dos 21 dias para tentar ficar também sem água?
Não precisar comer para estar viva é tão surpreendente que quero testar todos os limites. Me sinto igual criança com um brinquedo novo.

Hoje é o último dia do processo, continuo bebendo apenas água. Me sinto ótima como nos outros dias, mas hoje está presente também a sensação de dever cumprido.
Eu esperava sair dos 21 dias com uma consciência plena sobre meus potenciais adormecidos, e de fato estou. A sensação é maravilhosa!




"Já não sou mais o que era, devo ser o que me tornei"

Coco Chanel 


"Não se preocupe em entender.
Viver ultrapassa todo entendimento. 
Renda-se como eu me rendi. 
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei"
Clarice Lispector




Somos verdadeiramente o que o impossível cria em nós. Eu experimentei o impossível, e percebi que ao me despir do "im" que me impedia, que me tornava imune, após abandonar meus impulsos ao ceticismo, o impossível se desvelou possível.
Passei pelos 21 dias, e agora tenho mais energia e disposição do que antes, preciso dormir menos, de 3 a 5 horas por noite. Sinto minhas funções cognitivas mais aguçadas. É como se tudo no universo sensorial estivesse mais intenso, pois minha percepção está mais sensível. 
Consigo executar tarefas que exigem concentração com mais facilidade.
Não sinto fome, minha relação com a comida mudou, no entanto o mais valioso, o que me deixa em um estado agudo de felicidade, é ser a prova viva de que somos mais do que uma unidade carbono, composta por um amontoado de células unidas ao acaso.
O mais valioso é reconhecer a divindade em mim.
É saber que existe algo muito além do que nos dizem os dogmas ou sustentam as teorias.
É a certeza de ser possível transpor limites, sejam eles quais forem, impostos por quem seja, até mesmo os por mim.